Olympia














alegoria da clareira







Videoinstalação com dupla projeção de video feito no espaço e transmissão ao vivo. O espaço real fica concreto por ser projetado duas vezes e tudo que tem movimento, as cenas do video e o publico ao vivo ficam transparentes, fantasmas de tempos diversos coexistindo.






Corpos indóceis



No pavor – megalomania às avessas – nos tornamos o centro de um turbilhão universal, enquanto os astros fazem piruetas à nossa volta.

Cioran

Silogismos da amargura


Desde as primeiras incursões artísticas de Chico Fernandes, os astros parecem dar piruetas discretas à sua volta. Entre o corpo terrestre e o corpo de carne, um equilíbrio estranho e precário. Apenas um ponto de contato os mantém unidos. Em outras fotografias, nem isso. O homem em pleno vôo ou queda – como saber? - anuncia que os corpos se desprenderam. O desastre iminente, o inevitável desligamento, fica, todavia, suspenso na fotografia: “ainda não!”. E somos por momentos serenados por aquele corte do tempo, naquele instante saqueado de seu escoar. A dispersão e o colapso foram, por agora, adiados.

Custávamos então a perceber o artifício: era a inversão da fotografia que provocava aquele jogo de escalas que sutilmente transtornava a ordem natural do universo. Algumas vezes, o infinitamente pequeno, o homem, ousava sustentar ou escalar o infinitamente grande, o orbe sobre o qual caminha. Em outras, ele é apenas um ínfimo grão quase (e esse “quase” resguarda um infinito) sem sustentação. Não é um Eu aterrorizado o centro de um turbilhão universal: corpo, espaço e tempo orbitam em torno desse ponto de contato – gravidade extenuada - colocando às avessas o que supúnhamos em consonância.

Corpo, tempo e espaço são ainda o foco das investidas do artista. Mas o artista amplia suas interrogações e mídias. Não apenas a fotografia, mas os vídeos e a ação performática. Os limites também são pressionados: o corpo ou está confinado ou extenuado - enfrentando vigilâncias e controles - ou algo é expandido: não apenas a escala invertida, mas os projetos, ampliando tempos e espaços.

“Corpos indóceis”, poderíamos assim nomear os trabalhos no metrô e as ações como aquela que o artista realizou na abertura da exposição Projéteis na Funarte em 2007.

Confinando a cabeça entre os painéis duplos que compõem as paredes divisórias do espaço expositivo, lá permaneceu durante 3 horas. Uma câmera instalada entre os painéis capturava a imagem da cabeça asfixiada. Outra, colocada no exterior, filmava o corpo acéfalo debatendo-se em sua docilidade vigiada.

“Corpos dóceis” é a conhecida expressão de Foucault ao analisar as transformações da natureza e do funcionamento do poder que emerge, na sociedade moderna, materializando-se no adestramento dos corpos e depois na administração da vida operada pelo biopoder. O poder disciplinar atua reduzindo agentes sociais a corpos dóceis, hábeis e úteis; otimiza sua capacidade produtiva, tanto quanto reduz suas forças em uma política de disciplina. O corpo é assim submetido ao maquinário do poder. E o poder não é uma essência, sequer é exterior: é um campo de forças, uma rede de dispositivos de controle e de relações, de produção e circulação de saberes e discursos que investem sobre o corpo e a vida. A vigilância, cada vez mais internalizada, introduz um estado de permanente visibilidade. Se a disciplina era praticada por técnicas de confinamento – como prisões, hospitais, escolas, fábricas – aos poucos foram transformadas em técnicas de controle contínuo e comunicação instantânea. “Máquinas cibernéticas” de uma sociedade não tanto de “disciplina”, mas “de controle” como afirmaria Deleuze.

Submissão dos corpos ou administração da vida: em uma “obra em processo”, o artista vem tensionando por anos pequenas árvores, molda seu crescimento, controla sua forma, exercendo o que poderíamos chamar de biopoder doméstico. Afinal, a mecânica do poder se manifesta também pelas pequenas técnicas e em circularidade: às vezes o indivíduo é subjugado, em outras, detém o poder.

Nos Subways, série de vídeo e fotografias, Chico Fernandes dribla a vigilância do metrô realizando pequenos atos interditos: atravessa os trilhos, confina-se entre vagões, libera o gás do extintor de incêndio. Apropria-se das máquinas de controle e de suas imagens para convertê-las em arte. Se em Subways são câmeras de vigilância, são a Internet e o satélite, o olho difuso em circulação permanente, o olho absoluto e centralizado. Se, em Subways, o corpo de carne debate-se no interior do corpo terrestre, Projeto Lua é o salto além de qualquer confinamento, é a pirueta cósmica. São os corpos celestes que se exibem indóceis.

Uma ampulheta em que vemos areia escorrer em tempo real é instalada no espaço virtual da Internet. Cem anos passará, sem que sobrevivamos ao maquinário. Sequer sabemos se o maquinário sobreviverá ou se alguém, algum dia, talvez daqui a 99 anos, acessará o site sem solo, se ele estará operante ou desaparecerá no fluxo volátil da virtualidade.

Projeto lua propõe instalar um espelho de 1km, no espaço reservado às estrelas e aos satélites, durante a lua cheia. A luz do sol, ao incidir sobre o espelho na lua, seria desviada e refletida sobre a terra, convertendo a noite em dia. Projeto Lua, ainda que permaneça inexeqüível, existe em sua enunciação poética. Transforma o colapso anunciado em alegria temerária; o pavor em maravilhamento; o confinamento dos corpos em piruetas indóceis; a vigilância e o controle, em arte.



Marisa Flórido Cesar

Março de 2008

22 minutos


Performance realizada na exposição Máquinas-Oi Futuro Belo Horizonte
























25 minutos


























Arpoador, imagem feita em parceria com o querido artista Marcos Bonisson

interself II





masturbation piece

Converging Trajectories: Crossing Borders, Building Bridges
photo: Robert Brandan Martinez



Performance em que o publico se via dentro da televisão através de transmissão ao vivo.

E havia uma cena de masturbação, movimento nos braços, som alto de respiração ofegante.

a reação da arte















 













sem titulo 2003/2006



ampulheta de cem anos



visitem www.100anos.net















meia hora


Performance em que fico 30 minutos preso na parede, com a bota e o capacete presos por parafusos.

minutos de tontura e vertigem





Performance em que rodopio intensamente ate cair e repito por minutos.

subways











estudo sobre tensões contínuas











24 minutos



15 minutos


14 de julho





















Performance em que faço um corte na parede, coloco a cabeça e fecho, prendendo a cabeça. 3:30 hs

tensões sem contato























14 de julho








Experiências Físicas



















CV

CHICO FERNANDES, 1984, vive e trabalha no Rio de Janeiro

Formação

Cursando Educação Artística pela UniBennet/RJ. Desde o início de 2002 estuda na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Dentre os principais cursos estão o curso Arte Filosofia, com Fernando Cochiaralle e Anna Bella Geiger, Estética, com Reynaldo Roels, Questões da Arte Contemporânea, com Viviane Matesco e Linguagens artísticas com Maria do Carmo Secco.



Exposições Individuais

Chico Fernandes: 100 Years Hourglass projection, First Friday Art Event, Eye Lounge Gallery, Phoenix, Arizona USA, January 2009
Tension and Time: Continuing Studies, Ted Decker Catalyst Space at Figarelli Galleries, Scottsdale, Arizona USA, 2008
That’s Okay We’re Afraid – Novembro Arte Contemporânea – RJ – 2008
Alguma Tensão - Espaço Cultural Sérgio Porto – RJ – 2006
Centro Cultural Oduvaldo Viana Filho - Castelinho do Flamengo – RJ- 2004
Trajetórias I - Fundação Joaquim Nabuco – PE – 2004

Exposições Coletivas

Máquinas- Oi Futuro Belo Horizonte- Curadoria Alfons Hug e Alberto Saraiva- 2011
Olympia- Amarelonegro arte contemporânea- RJ 2010
Arquivo Geral- curadoria Marisa Flórido e Beatriz Lemos-RJ-2010
Abotoados pela Manga- curadoria Franz Manata e Maria Monteiro-SP-2010
Converting Trajectories:buiding bridges. Curadoria Ted G. Decker- U.S- 2010
Exposição Retrospectiva Junho 2010- Amarelo Negro arte contemporãnea- RJ - 2010
Coletiva de abril- Amarelo Negro arte contemporânea- RJ- 2010
Simultâneo- Projeção Fotográfica- Praça Tiradentes- RJ- 2010
Coletiva- Novembro Arte Contemporânea- SP- 2009
Coleções 9- Galeria Luisa Strina SP- 2009
Performance Presente Futuro, Oi Futuro-curadoria Daniela Labra - 2009
Desempenho acontecimento ação, Novembro arte contemporânea, (participação e organização com André Sheik) Novembro Arte Contemporânea-2009
Ponto cego: fotografia em preto e branco, Galeria Anita Malfati, RJ, 2009
EntreImagens, Largo das Artes, curadoria Fernando Cochiaralle, RJ, 2008
Febeario- Espaço cultural Sérgio Porto- RJ- 2008
Projeto Acervo – Espaço Bananeiras – RJ – 2008
Transverso – RJ – 2008
Incorporações – Espaço Bananeiras – RJ – 2007
Associados – Espaço Orlândia – RJ - 2007
Prêmio Projéteis de Arte Contemporânea – Funarte - RJ - 2006/2007
Março – Novembro Arte Contemporânea – RJ - 2006
Salão Nacional de Arte de Goiás - 2006
Rumos Visuais do Itaú Cultural - 2005/2006
Foto + 2005 - Casa França Brasil – RJ - 2006
Limite como Potência - Museu Nacional de Belas Artes – RJ - 2005
Além da Imagem - Centro Cultural Telemar- Curadoria Nessia Leonzini – RJ - 2005
Espaço-Experimento - Parque das Ruínas – RJ - 2005
Foto Contínuo – Foto Rio 2005
Universidarte XIII – RJ - 2005
I Salão Aberto de São Paulo - Casa das Retortas – SP - 2004
Figura 7- RJ - 2004
Semana de Fotografia – MARP - Ribeirão Preto – SP - 2004
Projéteis de Arte Contemporânea – Funarte – RJ - 2004
Posição 2004 - EAV Parque Lage – RJ - 2004
Açúcar Invertido II - The Américas Society - Nova Iorque - 2003

Contato:
Chico Fernandes
Tels.: 21.22094917 / 21.7608 4835
fernandes.chico@gmail.com